REMO & TRADIÇÃO

Uma herança do mar que se rema, se honra e se transmite. Conhece a história que nos trouxe até aqui.

Fotografia histórica de uma vila baleeira açoriana, com mulheres em primeiro plano Fig. 5. Interrogar as imagens — arquivo fotográfico da tradição baleeira açoriana

A PRIMEIRA COMPANHA FEMININA

A data e o local de constituição da primeira companha feminina de botes baleeiros dos Açores permanecem por esclarecer documentalmente, embora existam testemunhos de que possam ter começado a existir em 1997 ou 1998.

Existem testemunhos da existência de uma companha feminina no Faial, associada ao bote Claudina, que participava nas regatas da Semana do Mar e da Semana dos Baleeiros, nas Lajes do Pico.

Remamos juntas. A tradição continua.

DESDE QUANDO A MULHER PARTICIPA NAS REGATAS

A documentação pública consultada confirma inequivocamente a realização de regatas de remo feminino em botes baleeiros na Horta pelo menos desde 2007, embora existam indícios de que a participação organizada das mulheres seja anterior.

Hoje competimos lado a lado com os homens, com o mesmo espírito de superação, respeito e dedicação.

Tripulação feminina a competir numa regata de bote baleeiro Artur Filipe Simões | CNH

COMO COMEÇOU A TRADIÇÃO DESPORTIVA

Séc. XIX

Após o declínio da caça à baleia, os botes baleeiros passaram a ser usados em regatas e competições, mantendo viva a ligação das comunidades ao mar.

Década de 1980

As regatas de bote baleeiro começaram a ser organizadas de forma mais regular nos Açores, tornando-se num evento desportivo e comunitário importante.

Anos recentes

A tradição do bote baleeiro continua a evoluir, integrando mais mulheres e reforçando o seu papel como património cultural e desportivo dos Açores.

Ilustração de uma tripulação feminina a remar num bote baleeiro, com o Pico ao fundo

Mais do que competir, remamos para preservar um património cultural único, fortalecer laços entre comunidades e inspirar as gerações futuras.

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O MAR ENSINA.
A TRADIÇÃO UNE.
O REMO TRANSFORMA.

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Do cais para o bote, a tradição continua.

Hoje as mulheres não ficam mais no cais. Elas também remam.

A MULHER NA TRADIÇÃO BALEEIRA AÇORIANA

A história da mulher na faina baleeira açoriana é interessante precisamente porque a sua importância não corresponde, em regra, à presença feminina dentro do bote durante a caça. A baleação açoriana foi uma atividade marítima essencialmente masculina, mas fazia parte de comunidades inteiras, e as mulheres estavam profundamente ligadas à economia familiar e à vida social que existia em torno dela.

A mulher não ia à caça — mas fazia parte do mundo baleeiro.

O PAPEL HISTÓRICO: EM TERRA, MAS LIGADAS AO MAR

Durante o período ativo da baleação nos Açores, que terminou na década de 1980:

Trabalho em terra

As mulheres desempenhavam papéis vitais no processamento do cachalote nas fábricas, na limpeza e na gestão económica e familiar enquanto os homens estavam no mar. Em Santa Maria, por exemplo, chegou-se a registar uma mulher como acionista de uma companha baleeira.

Vigias e orações

Eram frequentemente as mulheres que ajudavam a detetar o sinal de "baleia à vista" e que lidavam com a angústia de esperar o regresso dos botes após acidentes marítimos.

Homenagem recente

O papel crucial destas comunidades foi recentemente retratado no documentário "Mulheres do Mar – Açores", promovido pelo Governo dos Açores para valorizar o contributo feminino na cultura marítima da região.

A REALIDADE ATUAL: DESPORTO E REGATAS

Com o fim da caça, os botes baleeiros foram recuperados e transformados em barcos de competição desportiva. Neste novo capítulo, a integração das mulheres é total:

Competições de remo e vela

Eventos de grande prestígio regional e internacional, como as regatas da Semana dos Baleeiros (Lajes do Pico) e da Semana do Mar (Faial), contam com categorias exclusivas de remo feminino e vela feminina.

Sucesso além-fronteiras

Equipas femininas açorianas competem e vencem frequentemente em eventos internacionais, como a Regata Internacional de Botes Baleeiros em New Bedford (EUA), demonstrando igual destreza física e técnica na manobra destas embarcações exigentes.